sexta-feira, 25 de março de 2011

domingo, 14 de novembro de 2010

Chico, devolve o Jabuti

antes de matar a dúvida
mate a saudade, a solidão e a fome
pois só a dúvida alimenta
enquanto as outras três
matam o homem

eliza moreno

http://www.petitiononline.com/1c2d3o4j/petition.html

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

pecunia non olet

oi Maria Helena ! Quanto tempo... cheguei a ensaiar um email para te mandar no começo do ano.. mas me envolvi com uma prova de mestrado e.... nao sei se por bem ou por mal, acabei passando..
nesse momento estou em Niterói/RJ, assistindo a uma aula de Direito e Economia (meu cérebro já ta dando nó hoje...). Esse mestrado eu resolvi fazer no dia 18/12/2009, faltando menos de um mês para o fim das inscrições. É um convenio do CJF com CNJ e a Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense, que fica em Niterói. Conforme o edital, o mestrado nao é acadêmico e sim profissional, assim nao sei se seria o tipo de título compatível com a hipótese de eu dar aulas depois, mas, pelo fato de ser um mestrado profissional, a Justiça é obrigada a me liberar em todas as semanas em que tenho aulas presenciais e seminários para participar. Isso equivale a mais ou menos uma semana por mês, normalmente a primeira ou a última semana do mês. Na verdade esse mês de setembro foi atípico: essa é a terceira semana de aula num único mês. Então cá estou. Meu serviço no gabinete ficou nas mãos de minha colega Daniela, que recebe a função de assistente e me substitui nessas horas... Nao tem sido fácil lá na JF por causa do numero de servidores: somos só nos duas, com mais duas estagiárias, no gabinete do Dr. Lelis, que está sozinho à frente da Vara.
O que me motivou a fazer esse mestrado não foi o título, nem a linha de pesquisa (uma tal de "Justiça Administrativa", baseada no Direito Alemão), nem minha subárea de pesquisa ("Mídia e Justiça"), mas sim aquela licença constante do art. 96-A da Lei 8112/90, de até dois anos de licença remunerada para concluir mestrado. Infelizmente até hoje o CJF ainda nao regulamentou o artigo, e desde fevereiro estou levando a duras penas esse meu 2010, conciliando trabalho e mestrado, com férias, compensação de plantão e até licença médica (fiz uma cirurgia de varizes pra poder ter dias de repouso lendo...)
Todo mês preciso entregar um artigo científico de cada disciplina. Minha tese de dissertação, baseada no conceito de opinião pública na visão de Habermas, ainda nem comecei a escrever... Espero tirar 20 dias de férias em novembro para escrever um capitulo pelo menos. Não é fácil, mas isso tem feito o ano ter outro significado pra mim. As aulas mais impressionantes que tive foram as de filosofia. É inacreditável o que eu só fiquei sabendo agora... São coisas tão importantes para a nossa própria vida... Esse lado bom e a experiencia de estar em outro universo (cidade grande, nova disciplina para cumprir prazos de entrega de trabalhos etc) pelo menos equilibram o lado de estar gastando tanto todo mês para estar aqui no Rio e do tempo escasso que tenho para ler as obras da minha bibliografia básica...Todas são obras pesadas, tem mais a ver com filosofia do direito e sociologia do que com direito material.
Então minha vida tem sido essa.. niteroi-uberaba-niterói. Interrompi o IBET até terminar esse curso, seria incompatível tentar levar os dois, já que nem trabalhar e estudar em to aguentando fazer rs... Tento nao entrar em pânico e vou caminhando... Talvez esse mês entrarei com um "Pedido de Providencias" no CJF pedindo pelamordedeus para regulamentarem o mestrado, pra eu poder tirar pelo menos seis meses, pra nao ficar doida rs.
Enfim.. nao vou ficar me lamentando pra vc.. Mas depois voce lê o artigo 96-A pra ver como ele é traiçoeiro: diz que quem goza de licença capacitação nao pode gozar da licença-mestrado, por isso eu fico impedida de pedir uma pra nao perder meu direito à outra.... Só a Justiça mesmo pra fazer essa sacanagem com servidor... Os outros órgãos públicos pelo menos estão regulamentando o artigo. Mesmo que neguem o direito, nao deixam o servidor esperando por algo que é lei mas nao pode ser usufruído. Eles até poderiam me negar, mas pelo menos já deveria estar regulamentado e eu nao ficar nesse angustia, esperando esperando...
Volto pra Uberaba amanhã. Esse ano na Justiça estamos sentindo que todos estão um pouco desanimados e desmotivados, pois as varas novas vão demorar muito. Como tivemos que ceder servidores para o Juizado, ta todo mundo trabalhando no limite da possibilidade, ninguem ta podendo tirar licença, todo mundo muito cansado, querendo estudar pra concurso e sem ter como... Isabel está no Juizado trabalhando no gab da Dra. Claudia. Fernando Moreno está no criminal da 2ª Vara mas dizem que até o fim do ano volta a ocupar um lugar no gab-sub da 1ª Vara (estou contando com isso... rezando muito rs.. se ele voltar, poderei tirar pelo menos a licença capacitação, já que nao tenho como deixar minha colega sozinha, certamente nao vao me liberar...).
o Claudinho está se recuperando do enorme baque desse início de ano. Em janeiro, justo a época que eu estava indo fazer a prova do mestrado, ele perdeu a esposa. Ela estava com 37 ou 38 anos, e teve um cancer no estomago diagnosticado. Nao resistiu à cirurgia de retirada do estomago... Foi muito triste. Ela nem chegou a passar por terapia. Foi tudo muito rapido. Me desculpe por nao ter escrito pra voce avisando, foi um momento de muita correria pra mim pra mim, ela faleceu dia 13/01, justo o dia que tive que viajar para o Rio, pois minhas provas foram nos dias 14 e 15/01. Tenho conversado muito com ele, saindo de vez em quando, devo encontra-lo esse fim de semana.
Voce poderia marcar de nos visitar um dia! Ficaríamos muito felizes em te ver ! Fala pro seu irmão, passe um fim de semana ! Tenho certeza que poderemos colocar vários assuntos em dia !!
Bom é isso, o professor finalmente nos liberou para o almoço =]
Quando chegar na justiça, falo que voce mandou abraços !!!
fica com Deus

quinta-feira, 22 de julho de 2010

post meio deprimente, eu sei..

"o problema do homem instruído ao não participar da política é acabar governado por seus inferiores" (platão)

"A imensa maioria dos eleitores de Taquaritinga não estudou em Harvard, não fala como personagem de livro de Machado de Assis, não é fluente em outros idiomas ─ não apresenta, enfim, nenhum dos sintomas que permitem à companheirada identificar integrantes da elite golpista. Mas não votam em gente que se expressa de modo incompreensível. Até os doidos de pedra da cidade onde nasci se recusam a apoiar quem não diz coisa com coisa.


Não chegaria a 100 votos, por exemplo, um candidato a prefeito que prometesse melhorar o sistema de atendimento à saúde com a seguinte discurseira: "É necessário tê clínica especializada. Porque as pessoas não podem recorrê ao… o hospital quando se trata de… de fazê exames especializados. Não pode i pro hospital porque lá no hospital a média e alta complexidade… uma pessoa que precisa de tratamento de urgência. Então eu acredito que todas as experiências de policlínicas especializadas são fundamentais. Por que? Porque u.. aí na policlínica ocê teria toda a possibilidade do tratamento especializado… de estômago, de pulmão, enfim… é…da…da… de todas as chamadas… tratamento de ouvido, garganta, e etc… laringe, enfim, cê teria um tratamento especializado pá avaliá se seu caso é de… né?… é… é… ocê vai tê uma medicação, vai ficá em casa, vai tê um acompanhamento médico, aí seria a policlínica especializada”.

Parece mentira? Pois é exatamente isso o que diz Dilma Rousseff no áudio divulgado pelo seu site oficial. Pela pergunta que abre o palavrório, pode-se deduzir que ela está querendo dizer que a salvação da saúde está em algo que chama de “clínica especializada”. Mas não consegue explicar o que é isso. Só consegue ampliar a montanha de evidências de que a candidata que não tem ideias próprias não consegue sequer declamar as que lhe são sopradas.

Como todo sinal de alarme, o som de um neurônio em ebulição é perturbador, mas muito útil. Quem tem juízo entenderá que Dilma Rousseff não é uma candidata em campanha. É uma ameaça a caminho.

Subscrevo e acrescento ao post o comentário do Celso Arnaldo: O que parece estarrecedor para quem nunca ouviu Dilma antes — e tenho colegas jornalistas que nunca a viram discursando ou dando entrevista — é absolutamente familiar para os frequentadores desta coluna. Que há nove meses têm acesso a veementes indícios, há muito transformados em provas documentais, de que Dilma é uma afronta imposta ao Brasil por Lula, num crime lesa-pátria sem perdão.

A afronta chega às raias do insulto, da bofetada vil, quando o próprio site oficial reproduz, sem pudor, sem autocrítica alguma, uma explanação vexaminosa como parte da plataforma de saúde da candidata. Se os chefes da campanha fossem honestos, até com a própria Dilma, só poderiam ter uma reação ao ouvir esse lixo, que é mais uma confissão explícita de apedeutismo radical e ignorância pluralista: ─ Pelo amor de Deus, esconde isso. Joga fora, não deixa ninguém ouvir." (...)

foda mesmo =/

quinta-feira, 17 de junho de 2010

error 404

Não consiste a virtude em assumirdes severo e lúgubre aspecto, em repelirdes os prazeres que as vossas condições humanas vos permitem. Não imagineis, portanto, que, para viverdes em comunicação constante conosco, para viverdes sob as vistas do Senhor, seja preciso vos cilicieis e cubrais de cinzas.


La vertu ne consiste pas à revêtir un aspect sévère et lugubre, à repousser les plaisirs que vos conditions humaines permettent. (...) Ne vous imaginez donc pas que pour vivre en communication constante avec nous, pour vivre sous l'oeil du Seigneur, il faille revêtir le cilice et se couvrir de cendres.

terça-feira, 1 de junho de 2010

a reforma gráfica e editorial da folha

Na reforma gráfica e editorial da Folha, espirraram os colunistas mais “longevos”, no dizer do secretário do jornal. Mas sobrou José Sarney, o mais “longevo” de todos, para revolta dos leitores, que encheram o painel da Folha de protestos indignados.

Especulo a manutenção de Sarney com pelo menos três motivos: 1) virou atração turística do jornal como o pior escritor do mundo; 2) como a Folha tem obsessão pelo tal “pluralismo”, mantém Sarney como representante do estrato social mais atrasado do país – embora a famiglia entenda muito mais de extrato com números estratosféricos nas Ilhas Cayman do que de estrato social; 3) bem ou mal, o homem é presidente do Senado. Seria um tiro no pé demiti-lo agora, ano de eleição.

Imune a uma reforma que lança as bases da “Folha do futuro”, o pretérito passado José Sarney comemora hoje, em sua coluna salva dos escombros, esse verdadeiro milagre de sobrevivência. E qual é o assunto da coluna? A reforma da Folha… Sarney está vibrando, nem tanto pelas novidades, como por ter tido a vida poupada, mais uma vez: “Volto do exterior. Encontro a Folha de S.Paulo de roupa e alma novas. Obriga a habituar os olhos e a ver o futuro no e do jornal. É uma desafiadora ousadia.

Frases fora do contexto podem ficar piores do que realmente são. Mas “o futuro no e do jornal”, Sarney típico, é ruim sozinha ou em grupo. Só ele escreve assim – mal e pretensamente “muderno”. A seguir, faz um balanço de sua bem-sucedida parceria com a Folha: "Comecei a escrever aqui em 1983, logo após entrar para a Academia Brasileira de Letras. Parei para ser vice e presidente.” O jornal perdeu então seu pior colaborador – o país ganhou seu pior presidente.

Em 1991, na Cidade do México, recebo um telefonema. Era Octavio Frias de Oliveira. Convidava-me para assumir esta coluna às sextas-feiras. Não faltei uma só vez, com paixão.” Essa assiduidade, motivo de orgulho para Sarney, levou centenas de leitores da Folha a cancelarem suas assinaturas ou deixarem de comprar o jornal – incomodados pelo impulso de desviar os olhos da coluna da direita da página 2, às sextas-feiras.

O texto deve ser leve, os adjetivos, ques e porques são inimigos e só devem entrar em caso de absoluta necessidade. É preciso segurar o leitor com o tema, nunca afastado do dia a dia, e brincar com as palavras, para enganar o que é sério com capa de burlesco ou cômico, ferino ou inútil. E haja tantos gêneros de crônicas!

Sarney, leve? Adjetivos, quês e porquês (ele ainda não entendeu bem o “chapeuzinho”) são inimigos do texto de Sarney, como qualquer palavra é inimiga de um texto de Sarney. Segurar o leitor não é bem sua especialidade. E, brincar com as palavras, francamente: Sarney brinca é com as palavras erradas, o tempo todo.

Sarney aplaude a Folha: “No testemunho destes anos, algo nunca mudou com as mudanças: os valores do pluralismo, o dever com o leitor e a notícia, o respeito ao direito de dizer e a resistência a patrulhas organizadas, hoje fáceis no mundo da internet, querendo cabeças.” “Querendo cabeças” só faz sentido se for a cabeça de Sarney: nenhum leitor o quer no jornal. (...)

--> texto de um tal celso arnaldo, verdadeiro e divertido  =]

segunda-feira, 24 de maio de 2010

"Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.

Abro mão da primavera para que continues me olhando."

pablo neruda



domingo, 9 de maio de 2010

Mãe - como e quando surgiu



homenagem do laerte ao dia das mães (folhinha de 08/05/2010)
PS: pelo link do título dá pra ver a tirinha ampliada

quinta-feira, 22 de abril de 2010

sobre o tédio

EM CERTO ponto do romance "O Vermelho e o Negro", de Stendhal, um dos personagens -o príncipe Korasoff- censura a tristeza do herói, Julien Sorel, explicando-lhe que "o ar triste não pode ser de bom tom; o que é necessário é o ar entediado. Se você está triste, há alguma coisa que lhe falta, alguma coisa que você não conseguiu. É mostrar-se inferior. Se você está entediado, ao contrário, o que é inferior é aquilo que em vão tentou agradá-lo".


É sem dúvida por essa razão que o ar blasé é tido por muitos como sinal de superioridade.

Não vejo superioridade nenhuma na pessoa cronicamente entediada. Se alguém, para parecer superior, precisa fingir estar entediado, é porque, na verdade, se sente inferior. Seu ar entediado é uma tentativa de se vingar dessa inferioridade. Por outro lado, uma pessoa que esteja sempre ou quase sempre genuinamente entediada não pode deixar de ser, em primeiro lugar, entediante: ela é entediada exatamente porque entendia a si própria.

Refiro-me aqui, é claro, às pessoas livres, isto é, àquelas que podem dispor, em medida considerável, do seu tempo. O que digo não se aplica, por exemplo, a enfermos, a prisioneiros ou a trabalhadores forçados.

E todos nós estamos sujeitos a momentos de tédio, como, por exemplo, quando nos encontramos, sem material de leitura, numa fila de banco, ou numa cerimônia da qual, por alguma razão, não conseguimos deixar de participar.

Fora semelhantes casos, porém, quase todos os nossos tédios são, como diz o poeta Paul Valéry, "nossa criação original". Difamar o mundo -e o mundo é sempre o mundo contemporâneo-, chamando-o de tedioso, diz muito sobre o difamador e nada sobre o mundo. Este não pode ser classificado nem de tedioso nem de interessante, pois é nele que se encontra tudo o que pode haver de interessante e de tedioso. Por isso, ele é entediante para quem é entediante, superficial para quem é superficial, profundo para quem é profundo, e interessante para quem é interessante.

(...) Como é possível ser tediosa a vida de uma pessoa que dispõe do seu tempo?

Creio que a resposta é que o tédio costuma acometer qualquer um que tenha orientado tudo na sua vida por uma única causa final.

A pessoa para quem o tédio se dá desse modo é aquela que tem um interesse obsessivo por uma só coisa. Nesse caso, encarando todas as demais coisas como meros caminhos ou obstáculos para a consecução do seu objetivo, ela as destitui de qualquer interesse intrínseco.

À medida que, em vez de facilitar o avanço dela rumo a esse ponto final, algo possui uma espessura e opacidade própria, à medida que exige atenção para si mesmo, passa a ser um obstáculo. Sendo assim, o tempo que, a contragosto, tal pessoa é obrigada a lhe dedicar, passa a ser um tempo de desvio, tempo que gostaria de ver passar o mais rapidamente possível, abrindo-lhe novamente caminho para a retomada da corrida rumo à finalidade última. Tal é o tempo do tédio, que ela tenta "matar", como se o tempo não constituísse a própria substância da vida.

O ponto final pode ser, por exemplo, uma paixão devoradora, que atropele tudo o mais. Digamos que uma pessoa vá a uma festa esperando ver o objeto de sua paixão e, lá chegando, não o veja. Então a festa que, não fosse por essa frustração, poderia ser uma delícia, torna-se, para ela, o mais puro tédio. Sem ganhar o objeto da paixão, ela perde o mundo. Eis uma das razões pelas quais tantos filósofos -inclusive Epicuro, que elogiava o prazer- apreciam o amor e a amizade, mas desconfiam da paixão.

http://www.fotolog.com.br/fernandazacarias/30529348

terça-feira, 20 de abril de 2010

PA nº 2010160290

Prezada Fernanda,

A proposta de regulamentação do afastamento de servidor para participação em programa de pós-graduação no país, previsto no art. 96-A da Lei n. 8.112/1990, elaborada pela Secretaria de Recursos Humanos em conjunto com as unidades regionais do sistema de RH da Justiça Federal, foi recebida na Secretaria-Geral no dia 05/04/2010. No dia 12/04 os autos do processo respectivo (PA n. 2010160290) foram encaminhados a esta Assessoria Técnico-Jurídica para análise e manifestação, observada a ordem de antiguidade para resposta, salvo situações de urgência e/ou excepcionalidade.

Maiores informações acerca do andamento do PA referido podem ser obtidas pelo telefone n. (61)3319####, comigo, Sheila, a quem os autos foram distribuídos.

Atenciosamente, Sheila C. F. Gibaile

sábado, 17 de abril de 2010

antes do almoço é muito bom

Cameralentamente, derramou o conteúdo da pilsen cristal adentro e, durante os lapsos de consciência que entremearam tão automático gesto, pôde perceber que a garrafa que acabara de abrir já tinha passado do ponto de gelo. À fina camada de espuma, enraizaram-se brancas estalactites feitas de espuma petrificada. Em dois minutos o aquecimento global liquefez a geleira, e a brahma tornou-se bebível, também em câmera lenta. “Enfim fim de semana”, semantizou num longo suspiro.

terça-feira, 13 de abril de 2010

– Resolvi abrir meu abandonado Yahoo. 550 emails não lidos. Jamais o serão. Abrir, posso até abrir um ou outro; mas no fim tal ato não se diferencia muito do tratamento de deletação sumária que receberão as demais missivas. Parecem tão inúteis quanto aqueles telefonemas que você atende e a pessoa diz “ops, foi engano”. Também resolvi visitar meu já desencarnado perfil no facebook. Me ative à carcaça da página, como se me desconhecesse.


– Ora, mas que bobabem é essa, agora deu pra pequenos pudores? reconheça logo que desconhece a si própria.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

confete


Para ilustrar o tanto que me é divertido estar aqui, só me restaria confeitar gelatinas.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

na praça de alimentação

Algumas pessoas esvaziam no lixo os restos de suas bandejas, no sem-gracismo típico daqueles que agem de acordo com sua consciência – sabendo rara tal atitude. São os bons coadjuvantes de uma praça que me serviu – tragicomicamente – pedaços de salmão ressecados, brandindo a icterícia peculiar das maçãs envelhecidas. Por mim, mereceria algo melhor, e aqui estão meus calcanhares que não me deixam mentir, cada qual com fendas talhadas por passos vesgos e enviesados, num esforço vão e trôpego de me protegerem do pé d’água.


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Há um método infalível contra a complexão de sorver um chopp sozinha, exposta aos olhares ruminantes do mais popular shopping de Niterói, o Plaza, ainda que em plena segunda-feira. É simples: basta abrir o notebook e ler e reler palavras dantes digitadas, ora digitando outras, ora invocando um ar de atenção e seriedade. Depois é só comungar com os espíritos boêmios que fielmente te acompanham.

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De repente meu paladar viu-se trespassado por um ácido calafrio: teria de enfrentar, após o aclive do chopp, longos cinco minutos de caminhada noturna até o apartamento. Nas ruas por vencer, vários ratos, tanto os de origem humana quanto os não conterrâneos da espécie. Quando chove, o centro se equipara a uma transbordante latrina; os desabamentos têm predileção pelas encostas, já que não há morros no entorno do decantado “Plaza”. Mas, nesse carteado, prefiro conceder à chuva os atributos de um coringa. Ela me permite evaporar pela janela do quarto – aqui reside nossa cumplicidade. Minha fé é a de que inexista quem cometa vítimas mundo a fora, quando se vê obrigado a equilibrar na raça um guarda-chuva combalido pelo vento.

quarta-feira, 31 de março de 2010

por f!ávio

no seu aniversário, foi você quem me deu presente

terça-feira, 30 de março de 2010

(sobre a noite passada)

Fui ali tentar ser gentil, mas o remetente só fez exibir outra porção de ratazanas.
Disse-me de sua sensação de ter sido usado (??), que a pretensa mãe de seu filho deve ser dada a tudo, menos a apologias (?!?), e, no gran finale, desejou-me boa sorte (!?!).

Evidente que, ao desfiar o rosário, não esqueceu de pérolas como "me apaixonei pela mulher errada", nem de entoar lamentos pela dor do chute (de fato, eu o isolei do estádio, onde nem gândula não tem...)

Mas como bem ensina a vida, não pense que o pior não pode piorar: o dito-cujo depois
embrenhou-se amargurado pântano adentro, e de lá me enviou emails sobre os quais
me abstenho de tecer opinião pois, consideradas as reminiscências já expostas, restará ao desavisado leitor metamorfosear-se num pinico.

domingo, 28 de março de 2010

eu não lembrava de ter registrado um blog
foi meu amigo bear quem se lembrou por mim
então já que tenho, vou fazer uso.

TRÊS DEFINIÇÕES PARA O POEMA

o touro
que na arena é surpreendido
pela dor da lâmina

a bomba
que teme se espatifar
na casa onde um menino sonha

um corpo
que aberto sobre a maca
espera sua autópsia

(andréa catrópa)